Avançar para o conteúdo principal

Fio escondido de esperança

No silêncio pesado da casa,
onde o cansaço se agarra como sombra,
o fio agora é elemental:
água, fogo, vento e terra.
Uma tapeçaria de forças que sustenta o mundo,
que queima ao toque e ilumina ao olhar,
dançando com aurora, noite e eternidade.

Entre inundações de preocupações
e explosões que rugem como vento,
entre pedras que teimam em cair
e luz que se infiltra por frestas antigas,
o fio permanece,
curvo, tenso, pulsando, mas intacto.

Respira.
Aguarda.
Espera.
Sobrevive.

Quando o próximo ciclo acender sua luz,
ele brilhará, silencioso,
tecendo chão firme sob pés cansados,
costurando palavras,
tecendo silêncio em canto,
costurando corpos em coro,
entre sombra e sol, água e fogo, vento e terra,
entre o que explode e o que se acalma.

O fio não termina
ele é chão, teto, poema,
linha que percorre tudo,
pulsando para além da página,
no corpo, na voz, no espaço que respira.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Bodas de Ouro - Chico e Inha

                 Cinquenta anos não são acaso.   São casa firme, construída devagar, são mãos que nunca largaram o laço, mesmo quando o mundo parecia desabar.   São passos dados lado a lado,   no sol ardente e na noite fria. É o “sim” mantido, renovado, na força simples de cada dia.   Sempre prontos. Sem alarde.   Sempre firmes. Sem vaidade. Presentes cedo, presentes tarde, fiéis à mesma verdade.   Não foram feitos de fantasia,   mas de trabalho, riso e cansaço. Foram coluna. Foram guia. Foram abrigo. Foram abraço.   E eu, que cresci à vossa beira,   desde o início desta jornada, trago-vos como raiz primeira, como porto seguro da minha estrada.   Foram padrinhos de promessa inteira,   segundos pais no gesto e no cuidado. Amigos de vida verdadeira, amor provado e confirmado.   Cinco décadas de chão vivido,   de lu...