Avançar para o conteúdo principal

Doce Novembro

O mês de Novembro é o mais difícil
Chega o vento, chega o frio
O sol esconde-se e as folhas caem
Todo o caminho fica castanho
Todo o céu fica cinzento
E a nostalgia está no ar.

É neste ambiente outonal
Que chega a vontade de hibernar
Estar entre lençóis quentes
Encostada ao calor humano
á beira de uma lareira acesa
Para comer castanhas e jeropiga

É neste mês que sinto as lembranças
Num forte arrepio, na flor da pele
Através do olhar distante e perdido
Sentimentos que pairam na minha mente
De saudades, nostalgia, memórias
Lembranças de um passado recente

Aquela escuridão escura e fria
Que um dia senti,
Aqueles sentimentos e dores
Que nem palavras existem para exprimir
Aquele amor e paixão
Que um dia foi sem dizer adeus

As marcas profundas
Que foram feitas com dor
Que saram com o tempo
Hoje são cicatrizes invisíveis
Que nesta altura do ano
Ficam com formigueiro ardente

Nesta luta entre palavras
Entre a ansiedade e a impaciência
Entre o triste e a alegria
Neste doce e frio mês de Novembro
Nesta silêncio da madrugada fria
Sinto maior a tua falta

Não há razão para perceber
Algo que é incompreensível
Num olhar profundo de uma menina
Ou num sorriso de outra menina
Sei que estás aqui, presente
Em que as forças do amor resistem a tudo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...