Avançar para o conteúdo principal

Musica clássica da Gulbenkian

Musica clássica da Gulbenkian
Ouvir as cordas, sopro e percussão
Sons tão sublimes, melódicos e suaves
Como sons tão pesados e agudos

Deixa-me num estado de serenidade
Fecho os olhos e aguço os ouvidos
E sinto os sons nas veias do meu corpo
Minha mente voa, sonha, dança

Leva-me para longe, meu corpo eleva
E imagino-me em dois sítios possíveis
Conforme as vibrações da música
Ou a dançar ou a tocar.

Por vezes, vejo-me a pairar
Numa orquestra familiar
Ou a dançar a par
Rodopiando sem parar.

O calor das minhas mãos
O dedilhar na minha perna
O sentir das vibrações fortes
De uma mistura de sons…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...