Avançar para o conteúdo principal

Mata do Estádio Nacional transformada em campo de golfe?!

Quando foi criado, nos anos 40 do século passado, pretendia-se que o Complexo Desportivo do Jamor fosse «um grande parque, sem luxo, de relvados frescos e árvores copadas, onde a gente de Lisboa brinque, ria, jogue, tome o ar puro, e verdadeiramente se divirta em íntimo convívio com a natureza», e «um lugar de recreio e escola de desportos para todos, mesmo para os que queiram utilizá-lo sem objectivos de competição».

Neste momento, assiste-se à destruição do coberto vegetal no espaço circundante ao Estádio Nacional para a construção de ( mais ) um campo de golfe que servirá apenas alguns e impedirá todos os outros de usufruirem do espaço. Esse campo de Golfe ocasionará a destruição da pista de corta mato e a ocupação de mais de metade da zona do vale que deixará de ser pública.

Um conjunto de cidadãos accionou já uma providência cautelar que foi aceite e obriga à paragem imediata das obras, a título provisório, até que a referida providência seja julgada.

Também a Quercus fez exposições à Secretaria de Estado do Desporto e CMO. Mas a defesa do Estádio Nacional é um dever de todos, independentemente de sermos ou não utilizadores do mesmo.

Deixo aqui uma petição que circula na Net sobre o assunto e apelo a todos os que concordem com ela que a assinem e divulguem por todos os meios ao vosso alcance.

http://www.peticao.com.pt/golfe-no-jamor
http://amigosestadionacional.blogspot.com/

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...