O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...

Comentários
recebi a tua sugestao, mas estou casado desde 1965 com quatro filhos e nove netos...como posso eu...namorar?
Saudades
Fernando
O namoramento é uma virtude de encantar, galar, embelezar
a mulher ou homem que amamos,
Para namorar, pode ser casada(o) ou solteira(o).
Os filhos e netos neste dia estão por conta deles.
Aliás também eles, estão ou vão passar por isso.
Dou-lhe o exemplo,
as pessoas que não tem namorado,
namoram a lua, pois o principezinho anda por lá...
Espero que esteja tudo bem convosco.
Bjs
Larita