O relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...

Comentários
recebi a tua sugestao, mas estou casado desde 1965 com quatro filhos e nove netos...como posso eu...namorar?
Saudades
Fernando
O namoramento é uma virtude de encantar, galar, embelezar
a mulher ou homem que amamos,
Para namorar, pode ser casada(o) ou solteira(o).
Os filhos e netos neste dia estão por conta deles.
Aliás também eles, estão ou vão passar por isso.
Dou-lhe o exemplo,
as pessoas que não tem namorado,
namoram a lua, pois o principezinho anda por lá...
Espero que esteja tudo bem convosco.
Bjs
Larita