Avançar para o conteúdo principal

Gestos de Luz

Publicação: Revista Ofélia 

Na quietude azul do alvor,
uma mulher ergue os braços ao tecto,
como quem parte vidro para colher luz,
e o corpo verte-se em ondas,
tenso por dentro como mar contido.
No canto da sala, as paredes recuam,
respiram devagar, afastam-se da pele,
cedem espaço ao lume secreto
que se ergue, translúcido, sem ruído,
onde o pensamento ferve como água.
Ali, entre o gesto e o sopro,
irrompe um clarão, breve e cortante,
onde as ideias colidem,
fagulhas entre caos e ordem,
escorrendo depois, líquidas,
em fios que se entrançam sem repetir.
A mulher não fala, mas o olhar cintila,
nele, flutua uma cidade suspensa,
pontes finas, casas de vidro
onde criaturas curvilíneas se movem
como se tivessem acabado de nascer.
Quando regressa ao silêncio do corpo,
as mãos repousam nos joelhos,
e o peito abriga o peso doce
de ter roçado, ao espreguiçar-se,
o lugar secreto onde tudo começa.
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Noite de Natal...

Noite de Natal, Noite especial Missa do galo, Nascimento de Cristo Tanta gente, tantos familiares Tantas pessoas de fé. Em momentos de ternura, Olhei para uma família reunida, As saudades apertaram As lágrimas encheram os olhos E insistia em cair sem demora... Apesar de neste dia, Estar com as pessoas que gosto Senti em especial falta de duas pessoas... Meu Pai e minha mana… Que no dia de Natal, faziam grande diferença... O meu Pai com a missa de Galo, Bolos e doces típicos de Goa, E o cumprimento das tradições. Fecho os olhos e vejo a estrelinha brilhante, Dentro de mim sempre sorridente. Sempre a dizer que olha por nós, E que devo seguir a vida em paz Como os pais nos ensinaram sempre, A vida é só uma e passageira... Minha mana, sempre ao meu lado, Sempre animada, sempre pronta E nunca se esquece as prendas, Mesmo longe, ela deixou-nos algo no nosso sapatinho... Fecha os olhos e sente o meu abraço virtual... Que mesmo longe dos olhos, Os nossos corações estão unidos Pela unidade da a...