Avançar para o conteúdo principal

Natal em Família

Quatorze à mesa, um laço de união,
Entre risos, memórias e recordação.
Crianças brincando, canções a soar,
No frio lá fora, calor a vibrar.

Pratos servidos com gosto e cuidado,
Sabores que unem, carinho ao lado.
Troca-se afeto, dá-se a essência,
Recebe-se paz, cultiva-se a presença.

No olhar de um filho, no abraço apertado,
A magia do Natal é amor partilhado.
Convívio sincero, sem pressa ou razão,
A alegria nos sorrisos é a maior emoção.

Enquanto a lareira o ambiente aquece,
O frio lá fora apenas esquece.
Aqui, a família é sempre o central,
E mais evidente se torna no Natal.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...