Avançar para o conteúdo principal

Isto não se vê em Lisboa!!

Estava uma tarde linda, quente, sem vento. Vim do trabalho e fomos passear a cadela pelo caminho de sempre. Costumamos passar por uma quinta, que tem galo e galinhas selvagens, de vez de enquanto vemos nas árvores. Mas desta vez, vimos uma galinha sentada num descampado sem se mexer. 
Eu disse ao meu companheiro: 
— Olha, uma galinha. Está muito sossegada, nem a cadela deu conta dela, passou-lhe ao lado. 
— Será que está a morrer?
— Tem uma boa cara- respondi-lhe — deve estar a descansar. 
E seguimos caminho. Ainda pensei ir avisar o vizinho da galinha, mas não o vimos. 
De volta, procurei pela galinha já não estava no mesmo sitio. 
Estava mais a frente, assim.
Tivemos de colocar a trela na cadela, pois a mãe galinha era capaz de atacar em defesa dos filhotes.
Afinal, escondia os filhotes debaixo dela quando fomos para baixo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Inverno Que Regressou

  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...