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Casa Rosa

 



"Coisas que tenho pedido a Deus quando acordo todas as manhãs:
Paciência para entender que nem sempre as coisas serão como eu quero, por não dependerem de mim.
Força para encontrar equilíbrio, em meio ao caos que não é provocado por mim.
Paz, para não deixar meu espírito se corromper pelo barulho alheio.
Sabedoria para saber diferenciar sentimento de emoção.
Coragem para que, no meio disso tudo, eu não deixe de ser quem sou, mesmo que isso não agrade todo mundo."
- Aryane Silva

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 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...