Avançar para o conteúdo principal

Tenho rugas...

Tenho rugas...
"Olhei para o espelho e descobri que tinha muitas rugas, à volta dos olhos, na boca, na testa.
Eu tenho rugas porque tive amigos e nós rimos, mas tanto, até às lágrimas.
Eu tenho rugas porque conheci o Amor, que me fez espremer os olhos de Alegria.
Eu tenho rugas porque tive filhos e fiquei preocupada com eles desde a conceção, mas também porque sorri para todas as suas novas descobertas e porque passei muitas noites em claro.
Tenho rugas porque também chorei. Chorei pelas pessoas que amei e que foram embora, por pouco tempo ou para sempre, sabendo ou sem saber o porquê.
Tenho rugas porque passei horas sem dormir, para observar os projetos que correram bem mas também para cuidar a febre das crianças, para ler um livro ou fazer amor.
Vi lugares lindos, novos, que me fizeram abrir a boca espantada, e revi os locais antigos, que me fizeram chorar.
Dentro de cada sulco no meu rosto e no meu corpo, esconde-se a minha história escondem-se as emoções que vivi, a minha beleza mais íntima.
E se apagar isso, apago a mim mesma.
Cada ruga é uma anedota da minha Vida, uma batida do meu Coração, o álbum de fotos das minhas memórias mais importantes!"
(Autor desconhecido)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Inverno Que Regressou

  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...