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Andanças 2016

Andanças é o Andanças...

Chegada a barragem de Póvoa e Meadas.
Pessoas, carros, roulottes, famílias...
Montagem das tendas ao abrigo das sombras. 
A ver aonde nasce o sol, aonde põe o sol...
Para de manhã não acordar cedo demais... e para  tarde, poder entrar na tenda para buscar as coisas para o banho de água fria da mangueira.
Banhoca ao rio... cuidado com as sanguessugas. 
Gostam de algumas pessoas, claro, elas escondem-se na vegetação.
Noites quentes, brisas frescas, concertos até ás altas horas da noite.
Tudo brilha, tudo é ao ar livre.  

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A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...