Numa farmácia, um estudante de Propaganda e Marketing faz perguntas aos clientes para uma pesquisa de mercado:
- Por favor minha senhora, estou a fazer uma pesquisa sobre o produto 'Deslizafácil', para determinar os usos da vaselina no lar.
A senhora poderia dizer-me que uso dá à vaselina em casa?
Sem se fazer de rogada, a mulher responde:
- Em casa, usamos a vaselina para a pele seca, assaduras e quando fazemos amor.
O estudante então pergunta:
- É a primeira vez que ouço a respeito do uso da vaselina para fazer amor, poderia dar-me mais detalhes?
Mais uma vez, sem se abalar, a mulher responde:
- Eu coloco na maçaneta da porta do quarto.
- Na maçaneta da porta?!
- É, as mãos escorregam e isso impede que as crianças entrem!
O relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...
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