Avançar para o conteúdo principal

Grandiosidade

É preciso penar, sofrer, sentir dor
Para poder dar valor ás coisas
É preciso parar um pouco no tempo
E assentar as mil ideias confusas

E no silêncio da noite, é preciso hibernar,
Sossegar o coração, corpo e alma
Ouvir a música, ouvir a chuva a bater na janela
E tentar emendar o que deu errado

Dizem que o passado
É um livro escrito para o passado
Mas relembrar os acontecimentos antigos
É tentar não repetir o que já aconteceu

Tanto reclamei, tanto pedi pelo o que falta
Perdi-me nos momentos grandes
Por achar que merecia mais
Que merecia o céu e a terra

Tanto olhei para o futuro
Achar que não queria sentir maior a solidão
Tanto olhei para mim, para a minha pessoa
E nunca pensei noutros aspectos.

Sei que tenho humor de uma palhaça
Que tenho energia de uma dançarina
Alegria de uma criança
E habilidade para dar a volta por cima.

Pediram para eu olhar a minha volta
E perceber o que me rodeia
Tenho amigos para o resto da vida
Não reparei na grandiosidade da minha pessoa

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Contos ao Cair da Noite, inspirado no ritual de… Promessa

Helena tinha dez anos quando prometeu à mãe que nunca abriria a porta do quarto ao fundo do corredor. — Mesmo que ouças alguém chamar por ti — dissera-lhe, ajoelhada diante dela. — Mesmo que reconheças a voz. A mãe morreu nessa mesma semana. Durante anos, Helena evitou aquele quarto. A porta permaneceu fechada. Não tinha chave, nem fechadura visível. Sérgio nunca perguntara o que existia do outro lado. Até à noite em que começaram as pancadas. Três golpes secos. Sempre à mesma hora. Duas e treze da madrugada. Na quarta noite, Helena acordou com uma voz que não ouvia desde a infância. — Minha filha. Sentou-se na cama, com o coração a bater descompassado. Sérgio continuava a dormir ao seu lado. — Helena, abre-me a porta. A voz vinha do fundo do corredor. Era a voz da mãe. A mesma doçura cansada. A mesma forma de prolongar a última sílaba do seu nome. Levantou-se e caminhou até ao quarto proibido. Por baixo da porta, uma linha de luz tremia sobre o soalho. — Prometeste —...