Avançar para o conteúdo principal

Juizo

Dias lindos e solarengo
Por vezes, cheio de cores e de flores
Outras vezes marcadas por dores e fantasmas
Por vezes cheias de perguntas
Que são mais que as respostas
E os porquês são mais que muitas
Que nos fazem tropeçar no nosso caminho
Ou ter duvidas do caminho que levamos.

Por vezes pergunto-me tantos porquês
Porquê que me atentas com sensações fortes
Com sentimentos e olhares alegres
Se não vou merecer tê-los.
Porque paixões, se não vou tê-los como amor
Porque atentas com coisas estranhas
Se não é isso que quero para mim
E me deixas ferir profundamente
Que me deixas parada no caminho.

E muitas vezes meus olhos não têm lágrimas
É impossível não sentir os apertos
É impossível não voltar ao passado
Será melhor perder o juízo,
E desviar a mente para outros rumos
Sorrir para não chorar
Mandar piadas para não estar séria
Fazer os outros rir e ripostar um riso em mim
Afastar os fantasmas que perduram.

Sei que o tempo, somente o tempo
E paciência, amor, esperança, força, vontade
Irá curar tudo, sarar as feridas abertas
Sei que o sorriso, aquele meu sorriso lindo
Juntamente com o meu olhar tímido,
E amigos de verdade e anjos do meu coração
Não me deixarão entrar em desespero
Sei que o amor, um dia irá acontecer

Nem que seja para me mimar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...