Avançar para o conteúdo principal

Quisera


Quisera, Senhor neste Natal, armar uma árvore, dentro de meu coração e nela pendurar, em vez de presentes, o nome de todos os meus amigos. 
          Os amigos de longe e de perto, os antigos e recentes, os que vejo todos os dias  e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que, às vezes, ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes, os das horas difíceis e os das horas alegres. 
          Os que, sem querer, eu magoei ou, sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles que me são conhecidas só as aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem devo muito. Meus amigos jovens, meus amigos velhinhos. Meus amigos homens feitos e as crianças, minhas amiguinhas. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos que já passaram por minha vida. Os que me estimam e admiram sem eu saber e, os que amo e estimo sem lhes dar a entender. 
Quisera, Senhor, neste Natal armar uma árvore de raízes muito profundas para que seus  nomes nunca mais sejam arrancados de minha vida. Uma árvore de ramos muito extensos para que os novos nomes, vindos de todas as partes, venham juntar-se aos já existentes. Uma árvore de sombra muito agradável para que nossa amizade,  seja um momento de repouso no meio das lutas da vida.
                                                           Autor desconhecido

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Inverno Que Regressou

  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...