Avançar para o conteúdo principal

Senhor é meu Pastor...

Mesmo que os meus passos se dirijam por vales escuros, tu não desistes de mim: o teu cajado sossega-me, levando-me a buscar caminhos de Vida.(*) inspirado no Salmo 23.

Tu és o meu pastor. E se me deixo conduzir por ti, nada me falta. Tu me reconstróis a vida, ao oferecer-me prados verdes e fontes de água fresca (*).
(*) inspirado no Salmo 23.

Salmo 23
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, nada temerei, porque Vós estais comigo:
O Vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários;
Com óleo me perfumais a cabeça, e o meu cálice transborda.
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,
E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...