Avançar para o conteúdo principal

Penso em ti...


Deito-me e acordo a pensar em ti,
Sinto-me cansada como se tivesse sonhado
Tivesse andado por ai, sem rumo.
No trabalho, nas pessoas,
Nas paisagens, nas letras, nos lugares
Penso em ti…lembro-me de ti…

Senti algo que nunca tinha sentido antes
Acabei por ficar sentida e triste
Apenas com o silêncio que existe entre nós…
A alegria foi-se, o brilho apagou-se
O vazio aumenta, suspiro afoga-se
E aquela paixão foge por entre os dedos

Será que está na hora de desistir de ti???
Esta luta de te esquecer, não é fácil…
Olha-me nos olhos, diz-me o que sentes…
Assim ficarei menos magoada
Do que o silêncio, e a ausência das palavras…
Longe da vista, longe do coração…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...