Avançar para o conteúdo principal

Feira do Livro 2010

Os livros - pequenos, grandes, os de aventuras e os romances, aos quadradinhos e os outros - invadem o Parque Eduardo VII a partir de quinta-feira, 29 de Abril.

Os nossos heróis vão lá estar todos - os que nos fazem rir, chorar, percorrer o mundo sem sair de casa, aprender e querer pertencer às histórias que escreveram. O regresso dá- -se hoje e durante três semanas (a Feira do Livro de Lisboa termina a 16 de Maio) lá irão os lisboetas percorrer as ruas inventadas para receber esta iniciativa, espreitar os 237 pavilhões (institucionais e diferenciados), descansar o olhar e as pernas nas quatro praças (a Azul, a Verde, a Amarela e a Lilás), locais de encontro e descontracção para serem vividos pelas milhares de pessoas que, anualmente, voltam "ao local das histórias".

O horário foi alargado por "exigência" do público. Porque, afinal, a hora do almoço também deve ser aproveitada para outros alimentos. Assim, de segunda a sexta-feira, os livros estarão à nossa disposição entre as 12 e 30 e as 23 e 30; aos fins-de-semana e feriados, a abertura dá-se às 11 e prolonga-se até às 23 e 30.

Nesta 80.ª edição, ao contrário do que tem acontecido nos anos anteriores, não haverá um país homenageado. Paulo Teixeira Pinto, presidente da APEL, explica a razão: "A literatura não é dos países, é universal". Além da venda dos livros, haverá uma intensa programação cultural, com debates, conversas com os escritores, muita e variada música e as habituais sessões de autógrafos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...