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Grão de mostarda


A abelha busca em muitas flores o pólen para fazer o mel. Ao chegar à colmeia, trata de alimentar os favos; não se fica a lamentar as diversas tentivas feitas, das quais não extraíu nenhum pólen. Não sobrecarreguemos o nosso coração com o que nos magoa, com o que nos provocou danos. Cuidemos de amar os gestos recebidos de ternura, de compaixão e de solidariedade fraterna.
grão de mostarda
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Enviada por Grão de mostarda

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 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...