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Grão de mostarda


A abelha busca em muitas flores o pólen para fazer o mel. Ao chegar à colmeia, trata de alimentar os favos; não se fica a lamentar as diversas tentivas feitas, das quais não extraíu nenhum pólen. Não sobrecarreguemos o nosso coração com o que nos magoa, com o que nos provocou danos. Cuidemos de amar os gestos recebidos de ternura, de compaixão e de solidariedade fraterna.
grão de mostarda
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Enviada por Grão de mostarda

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  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...