Avançar para o conteúdo principal

Muito que aprender...

Há muito tempo que procuro
alguma coisa que me dê esperança,
alguma coisa que me dê sentido de vida
alguma coisa que me dê alegrias.

Não digo que não tenho vida,
tempo atrás aprendi a viver a minha vida,
aprendi a aceitar aquilo que a natureza me dá
para ter a vida como ela nos permite..

A aceitar o que sou e como sou,
podem apontar-me o dedo,
podem os cabelos ficarem brancos
já não me atinge, minha alma está livre..

Pequenas coisas que não dei valor,
tornaram-se importantes,
momentos bons ja passados, não voltam,
agora aproveito cada pedaçinho..

As propostas que procuro,
podem estar a minha frente,
a minha missão na terra,
pode estar nas minha mãos.

Mas ainda não os vejo,
ainda não chegou a hora de os ver,
ainda não chegou a hora de realiza-las
ainda tenho muito que aprender..
(Autoria: LMCF)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Hora em Que a Casa Respira

 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...