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Enumeração

Parto amanhã rumo ao Santiago de Compostela, onde as melhores aventuras acontecem.

LEVO: 

Uma bússola pequena para encontrar caminhos secretos (🧭para orientação);

Um mapa real para descobrir estradas escondidas (me diz onde estou e para onde vou);

Duas botas impermeáveis para alguns terrenos imprevisíveis (uma em cada pé);

Duas cordas resistentes para atravessar abismos inclinados (um para descer, outro para subir);

Três livros antigos para desvendar enigmas ocultos (um que conta, outro que nega e outro confirma);

Quatro lanternas luminosas para noites mais escuras (para cada ponto cardeal);

Cinco frascos mágicos para curar ferimentos estranhos (mazelas com olhos, nariz, ouvidos, coração e pés);

Seis amuletos protectores para espantar criaturas ferozes (para seis bichos);

Sete lápis encantados para enviar mensagens necessárias (as cores do arco-íris).

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 O  relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...