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Doze badaladas


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na troca dos olhares rápidos,
Na selvajaria das nossas mãos,
No toque suave dos nossos lábios,
Sobre a minha pele.
No uso e abuso dos nossos corpos sedentos,
Começa a nossa aventura de noite de lua cheia.
Desejo enorme de ser tocada,
A vontade arrebatadora de ter contacto corporal,
Desenfreadamente, encostaste-me contra a parede
E somente com a ponta da língua,
Arrepiaste-me a espinha.
As roupas atiradas ao chão
Rolamos nas paredes ao longo do quarto,
Em momentos de ‘suspense’
Juntos fomos parar ao local,
Aonde poderíamos olhar,
Aonde às nossas mãos
Poderiam tocar, sentir,
Conhecer cada ponto dos nossos corpos,
Despertar em nós, os desejos
A louca vontade de sermos consumidos.
No caloroso ambiente de desejos,
Nos corpos ainda sedentos,
Invadiste a minha propriedade privada
E arrebataste em todos os momentos que tivemos juntos...
Foi uma noite muito Pimentinha…
Debaixo do sono profundo
Ouvi, o relógio no corredor
Que bate pontualmente as badaladas,
Um, tinha de acordar dos teus braços,
Dois, procurar as roupas perdidas pelo quarto,
Três, vestir e preparar para sair,
Quatro, apanhar a mala colocada num canto,
Cinco, procurar as chaves do carro
Seis, dizer “Bom dia, até breve”
Sete, a porta que abre e fecha,
Oito, a descida das escadas de mármore,
Nove, ouvir um vrummm da abóbora,
Dez, o silêncio do adeus,
Onze, a fuga da Cinderela,
Doze, um uivo da madrugada.”

                                                         Autoria: LMCF

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