Avançar para o conteúdo principal

E o amor? Você me pergunta...

E o amor? Você me pergunta. 
O amor, ah, sei lá. 
O amor nem dá para definir direito. 
Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projectos, manias, defeitos, cheiros, gostos. 
Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. 
Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. 
É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar para cara da pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. 
É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-para-ele. 
É não querer mais ninguém para dividir as contas e somar os sonhos. 
É querer proteger o outro de qualquer mal. 
É ter vontade de dormir abraçado e acordar junto. 
É sentir que vale a pena, porque o amor não é só festa, ele também é enterro. 
Precisamos enterrar nosso orgulho, prepotência, ciúmes, egoísmo, nossas falhas, desajustes, nosso descompasso. 
O amor não é sempre entendimento, mas a busca dele. 
O amor é uma tentativa eterna...
— Clarissa Corrêa.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Contos ao cair da noite, inspirados no ritual de ...Cura

Helena estava doente há quase um ano quando o médico lhe disse que existia uma cura. Não fez perguntas. Agarrou-lhe as mãos por cima da secretária e chorou em silêncio. O tratamento começou nessa mesma semana. As dores desapareceram primeiro. Depois vieram as noites tranquilas, o apetite, a cor no rosto. Ao fim de um mês, Helena já conseguia subir as escadas sem parar a meio. — Está a resultar — disse o médico. Ela sorriu. Nessa noite, dormiu profundamente pela primeira vez em muitos meses. Acordou pouco depois das três da manhã. Alguém estava sentado aos pés da cama. Ficou imóvel. A figura não se mexia. Helena acendeu o candeeiro. Não havia ninguém. Na manhã seguinte encontrou uma mancha escura sobre o lençol, exatamente onde julgara ver a silhueta. Convenceu-se de que tinha sonhado. Até começar a ouvir a voz. Primeiro no corredor. Depois na cozinha. Depois atrás da porta do quarto. Sempre durante a madrugada. Sempre a chamar por ela. — Helena... Quando perguntou ao...