Também conhecido por alperce, o damasco é um fruto de origem chinesa (com mais de 4.000 anos), que é cultivado em diversas regiões portuguesas e colhido entre Maio e Julho. Tem uma polpa bastante sensível, pelo que, o seu manuseamento deve ser cuidadoso. O damasco é uma excelente fonte de caroteno e vitamina B2. Possui fibras e ferro e é bastante doce, especialmente em conserva ou seco. Prefira as peças de cor laranja amarelada, de polpa robusta e madura. Evite os exemplares excessivamente maduros ou verdes (dificilmente amadurecem depois de colhidos). Neste último caso, deverá deixá-los amadurecer naturalmente. Evite pressioná-los com os dedos, pois são frutos muito frágeis. Conserve-os a cerca de 0° C. Normalmente, os damascos são consumidos ao natural, mas são também excelentes em compotas ou licores e como acompanhamento de carnes de aves, depois de cozidos.
O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...

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