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Dia Internacional da Alimentação


A quebra contínua, desde 1995, na assistência aos países mais pobres agravou-se com a crise económica, elevando para mais de mil milhões o número de pessoas com fome em todo o Mundo. A conclusão, que consta do relatório "O Estado da Insegurança Alimentar", leva a FAO a responsabilizar as nações mais ricas pela falta de "uma forte vontade política de erradicar a fome ".Comentar Artigo Aumentar a fonte do texto do Artigo Diminuir a fonte do texto do Artigo Ouvir o texto do Artigo em formato �udio O "problema da insegurança alimentar" é "uma questão de mobilização ao mais alto nível político para que os recursos financeiros necessários estejam disponíveis". A ideia é defendida pelo director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Jacques Diouf, no dia em que a agência publica o relatório de 2009 sobre as carências alimentares no planeta.
"A FAO estima que 1,02 mil milhões de pessoas se encontrem subalimentadas em todo o Mundo em 2009. Isto representa mais pessoas com fome do que em qualquer altura desde 1970 e um agravamento das tendências insatisfatórias que já estavam presentes antes da crise económica", salienta o relatório "O Estado da Insegurança Alimentar", publicado esta segunda-feira em Roma.

Jacques Diouf ilustra a amplitude do problema com números: "A cada ano, os apoios para a agricultura dos países da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico] atinge os 564 mil milhões de dólares e as despesas de armamento os 1.340 mil milhões".

Objectivos do Milénio em perigo
O combate internacional contra a fome permitiu colher bons resultados ao longo da década de 1980 e no início dos anos 90. A partir de 1995, porém, os montantes reservados para a cooperação alimentar começaram a regredir, assim como os volumes do investimento privado no sector agrícola. Em Junho de 2008, havia 963 milhões de pessoas com fome em todo o Mundo. Com o advento da crise financeira e económica, esse número superou este ano a fasquia histórica dos mil milhões.

"No combate contra a fome, o foco deveria recair sobre o aumento da produção de alimentos. É do senso comum que a agricultura deveria ser a prioridade, mas aconteceu o oposto", afirmou o director-geral da FAO.

No início dos anos 80, os países doadores reservavam 17 por cento da ajuda para o sector da agricultura. Em 2006, explicou Jacques Diouf à Associated Press, esse montante regredia já para os 3,8 por cento, tendo sofrido um aumento residual nos últimos três anos. Para fazer chegar alimentos a uma população projectada de 9,1 mil milhões de pessoas em todo o Mundo, dentro de quatro décadas, a produção terá de crescer 70 por cento, segundo as estimativas da FAO. Os países mais pobres terão de receber 44 mil milhões de dólares em apoios anuais à agricultura, contra os actuais 7,9 mil milhões.

"O objectivo da Cimeira Mundial da Alimentação de reduzir a metade o número de pessoas subalimentadas, para não mais de 420 milhões até 2015, não vai ser atingido se as tendências que prevaleceram antes da crise continuarem", avisa o relatório da FAO.

Os dados da FAO situam o maior número de pessoas com fome, 642 milhões, na região da Ásia e Pacífico. Em segundo lugar aparece a África Subsaariana, onde a fome atinge 265 milhões de pessoas. "Nenhuma nação está imune e, como é habitual, são os países mais pobres e as pessoas mais pobres a sofrerem mais", assinala a FAO.

Três dezenas de países, entre os quais 20 em África, estão hoje a solicitar ajuda alimentar de emergência. Uma contingência ditada pela combinação entre os preços dos alimentos, que se mantêm elevados nas nações em desenvolvimento, os baixos rendimentos e um desemprego galopante.

"O número crescente de pessoas com fome é intolerável. Temos os meios económicos e técnicos para fazer desaparecer a fome, o que está a faltar é uma forte vontade política de erradicar a fome para sempre", reforçou Jacques Diouf.

Sem embargo das críticas, o director-geral da FAO considera que os líderes mundiais parecem começar a compreender a necessidade de reforçar o investimento na agricultura, aludindo a um compromisso assumido em Julho, na Cimeira do G8, para a angariação de 20 mil milhões de dólares destinados a agricultores dos países mais pobres.

No conjunto dos países de Língua Oficial Portuguesa, a FAO destaca o caso do Brasil, que, entre 2002 e 2006, conseguiu reduzir em cinco milhões o número de pessoas subalimentadas - de 16,6 milhões para 11,9 milhões. A Organização atribui os resultados a uma "gestão prudente dos excedentes acumulados nos anos anteriores". Em Angola, o número de pessoas subalimentadas caiu de 7,4 milhões em 2002 para 7,1 milhões em 2006, enquanto Moçambique apresenta uma redução de 7,9 milhões para 7,5 milhões. A FAO avisa, no entanto, que o crescimento das importações de alimentos básicos em países como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique acarreta reflexos ruinosos para a segurança alimentar.

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