À meia-noite, as velas acenderam-se sozinhas. Na cave, sete pessoas formaram um círculo em redor de um berço vazio. No centro, uma mulher de branco segurava um espelho antigo, coberto por manchas escuras. Ninguém pronunciava o seu nome. Naquela aldeia, acreditava-se que o ritual do Nascimento permitia trazer de volta aquilo que nunca deveria ter partido. — Quando ouvirem o primeiro choro, não olhem para o berço — avisou a mulher. As palavras foram acompanhadas por três pancadas vindas do interior da madeira. Uma. Duas. Três. O chão estremeceu. As velas apagaram-se, e um cheiro a terra molhada invadiu a cave. Então, ouviu-se um choro de bebé. Todos baixaram a cabeça. Todos, menos Tomás. O rapaz espreitou para o berço e viu uma criança minúscula, de pele cinzenta e olhos completamente negros. A criatura sorriu-lhe. Não tinha dentes, mas Tomás ouviu-os ranger dentro da própria cabeça. — Mãe? — perguntou a criança. A mulher de branco deixou cair o espelho. O vid...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...