A semente veio escondida na terra — mas, olhando para trás, suspeito que já estivesse em mim. Antes disso, houve sinais. Uma comichão persistente nos dedos, sob as unhas. Sonhos viscosos, sem forma: terra húmida, dentes a romper no escuro. Acordava cansado. As mãos, sujas. Plantei-a na mesma. Talvez por hábito. Talvez por obediência. No primeiro dia, nada. No segundo, um rebento pálido. No terceiro, sangue — espesso, quente, familiar. Continuei a regar. Não por cuidado, mas por impulso. Um gesto antigo, automático, como se algo em mim reconhecesse o que nascia. As folhas surgiram com veias finas. Pulsavam. E eu comecei a sentir o mesmo. À noite, ouvia um som húmido. Mastigar lento. Dentro de mim, uma resposta. No quinto dia, acordei com dor. O dedo aberto, a carne exposta. A planta inclinava-se na minha direcção. Quase terna. Veio o medo. Logo depois, a raiva. Tentei arrancá-la. As raízes não eram raízes. Eram dedos — brancos, tensos, enterrados com desespero. Quando puxei, senti resis...
Vivências e Descobertas
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...