Há mais de dois mil anos, Juvenal escreveu panem et circenses — "pão e circo". Criticava uma sociedade que se deixava apaziguar com alimento e espetáculo, desviando o olhar do que realmente importava. O contexto transformou‑se. A inquietação permanece. Hoje, o "circo" já não ocupa os anfiteatros romanos. Surge nos estádios cheios, nos Jogos Olímpicos, nos grandes concertos, nos fenómenos virais que atravessam continentes em poucos minutos ou nas transmissões que, durante dias, parecem suspender o resto do mundo. O problema nunca foi o entretenimento. O ser humano sempre precisou de celebrar, de competir, de contar histórias, de criar momentos de alegria partilhada. O espetáculo também faz parte da cultura e da identidade das sociedades. O problema começa quando o espetáculo ocupa quase todo o espaço do olhar. Enquanto milhões acompanham uma final desportiva, algures continuam a cair bombas. Há hospitais sem medicamentos, populações deslocadas, incêndios...
Vivências e Descobertas
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...