A gaze húmida colava-se à pele, morna como se guardasse um resto de sonho. No quarto, o cheiro a desinfetante velho misturava-se com algo mais antigo. 03:17. Ela não dormia havia dias, mas não era bem insónia. Era outra coisa. Uma vigília involuntária, alguém dentro dela precisava que ela ficasse acordada. Os pontos puxavam devagar, num ritmo que não era o do seu corpo. Às vezes pousava os dedos sobre a cicatriz para sentir o calor dali. Não era febre. Era presença. Lembrou-se da enfermeira antes da anestesia. “Vai correr bem.” Mas a voz soava agora como eco dum corredor que nunca existiu. Naquela noite, acordou com a sensação de que o quarto respirava. As cortinas não se mexiam. O roupeiro não se mexia. A cadeira no canto não se mexia. Mas o ar tinha pulso. Depois sentiu o húmido. A cicatriz abrira um pouco. Uma linha fina. Escura. Mas não sangrava, parecia mais uma fenda no tecido de qualquer coisa maior. Ela não gritou. O silêncio do quarto era tão den...
Primeiro exercício: Pegar no livro que esteja à mão, ir à página com o número da minha idade: Nome do livro: "Cartas a um jovem escritor" Capitulo: Moldar a verdade: "Diga o que pensa. Deverá escrever para não cair no silêncio. É essa a verdade, ou o mais próximo que conseguiremos chegar dela." Em 100 palavras: Para usar para desbloquear ideias e evitar plágio, transforma a história ou nega o conteúdo ou muda a personagem de feminino/masculino. Diga o que não pensa, porque às vezes o pensamento nasce cansado e prefere esconder-se atrás das sombras. Não deverei escrever para cair no silêncio, como quem atira palavras ao fundo de um poço sem eco. Há frases que mentem devagar, outras que apenas se afastam da verdade, até já não reconhecerem o próprio rosto. Talvez seja essa a mentira: a distância crescente entre aquilo que sentimos e aquilo que queremos dizer. Ou talvez seja apenas o mais longe que conseguimos chegar dela, antes de regressarmos ao medo antigo de...