Há uma ideia que, de vez em quando, me atravessa o pensamento: será que podemos ter várias coisas boas ao mesmo tempo? Parece uma pergunta simples. Talvez. Mas basta olhar à nossa volta para perceber que muitas vezes vivemos como se existisse uma espécie de contabilidade invisível, onde nada nos é dado sem que alguma coisa tenha de ser retirada. Se temos amor, já é muito. Se temos saúde, não podemos pedir mais. Se temos dinheiro suficiente para viver, não devemos desejar sorte. Se temos uma família, não podemos queixar-nos da solidão. Se temos trabalho, não devemos desejar tempo. E, se alguma coisa corre demasiado bem, há sempre aquela voz, dentro ou fora de nós, que parece dizer: cuidado, porque alguma coisa virá cobrar a diferença. Talvez tenhamos aprendido isto desde cedo. Aprendemos a desconfiar da felicidade demasiado prolongada. A dizer "não me posso queixar" mesmo quando alguma coisa nos dói. A esconder um desejo porque alguém pode achar que já temos mais do ...
Vivências e Descobertas
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...