Primeiro exercício: Pegar no livro que esteja à mão, ir à página com o número da minha idade: Nome do livro: "Cartas a um jovem escritor" Capitulo: Moldar a verdade: "Diga o que pensa. Deverá escrever para não cair no silêncio. É essa a verdade, ou o mais próximo que conseguiremos chegar dela." Em 100 palavras: Para usar para desbloquear ideias e evitar plágio, transforma a história ou nega o conteúdo ou muda a personagem de feminino/masculino. Diga o que não pensa, porque às vezes o pensamento nasce cansado e prefere esconder-se atrás das sombras. Não deverei escrever para cair no silêncio, como quem atira palavras ao fundo de um poço sem eco. Há frases que mentem devagar, outras que apenas se afastam da verdade, até já não reconhecerem o próprio rosto. Talvez seja essa a mentira: a distância crescente entre aquilo que sentimos e aquilo que queremos dizer. Ou talvez seja apenas o mais longe que conseguimos chegar dela, antes de regressarmos ao medo antigo de...
Há dias em que o mundo não desaba. Apenas perde peso. Acorda-se e tudo parece igual: a luz entra pela janela com a mesma inclinação, o ruído da rua mantém a sua rotina, o telemóvel acende com notificações que poderiam ser importantes noutro estado qualquer. Mas algo muda sem aviso — não no exterior, mas na forma como tudo chega. Chega longe. Chega fraco. Chega como se atravessasse água. E há quem se levante mesmo assim. Não por força nem esperança. Levanta-se porque o corpo ainda conhece o caminho quando a mente já não acompanha. A depressão não entra como evento. Não parte portas. Não anuncia chegada. Instala-se como alteração da distância entre a pessoa e o mundo. O mundo continua perto, mas já não toca. E esse intervalo não é visto. Nas ruas, tudo parece funcional. Pessoas entram e saem de transportes, trabalham, conversam, discutem preços, fazem planos. O mundo mantém disciplina exterior. Mas há quem caminhe dentro dele como se estivesse ligeiramente atrasado rela...