Há um ruído constante no mundo — discursos, bandeiras, mapas riscados a linhas duras como se fossem destinos inevitáveis. Fala-se de estratégia, de poder, de equilíbrio global. Mas raramente se fala do silêncio que fica depois. Porque no fim, quando os holofotes se apagam e os analistas passam ao próximo tema, quem permanece são as pessoas. As mesmas que acordam cedo, que levam filhos à escola — se ainda houver escola —, que fazem contas no fim do mês com números que já não chegam. Não decidiram guerras, não desenharam alianças, não assinaram tratados. Mas vivem com as consequências como quem herda uma dívida antiga que nunca contraiu. Entre o ruído e a vida real há sempre uma distância invisível. E é nessa distância que tudo pesa mais. Há algo de profundamente injusto neste ciclo. O poder move-se como se fosse eterno, jogando peças num tabuleiro vasto, enquanto a vida real é frágil, concreta, feita de dias pequenos. Um aumento no preço do combustível não é uma abstração ...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...