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Puzzle - a peça do desafio das letras

A antiga peça apareceu sobre a mesa numa madrugada imóvel, como se tivesse sido deixada por mãos que recusavam ser lembradas. 
Era redonda, do tamanho exato de uma moeda grande, discreta demais para dominar o tabuleiro, mas impossível de ignorar. 
A superfície mostrava um vermelho desbotado, atravessado por uma linha dourada que não conduzia a lado nenhum. Ao toque, era fria, feita de cartão espesso, com as bordas gastas como se tivesse viajado por lugares que ninguém ousaria nomear.
Em redor, quase completo revelava um céu estranho, um sol pálido, uma lua vigilante e sombras que lembravam criaturas antigas. 
No centro, porém, permanecia o vazio reservado àquela peça circular, deslocada de todas as outras, como se tivesse sido criada para um enigma diferente.  
Cada tentativa de encaixe falhava antes mesmo de começar. 
A peça rodava, recusava, parecia antecipar o erro das mãos que a guiavam. Havia nela uma resistência silenciosa, uma recusa que não era física, mas intencional.  
Chegando ao último minuto de minha paciência, tudo é revelado. 
 E foi nesse instante suspenso que tudo se revelou, como se o puzzle colorido e redondo protegesse um final encantador, selado desde o início, aguardando apenas o momento certo para maravilhar outra vez.

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