Helena nunca saía de casa sem tocar três vezes no medalhão que trazia ao pescoço. A mãe colocara-lho quando ela ainda era criança. — Enquanto o usares, ninguém te encontra. Durante anos, nunca questionou aquelas palavras. O gesto tornou-se um hábito tão natural como fechar a porta ao sair ou apagar a luz antes de adormecer. Só deu pela falta do medalhão numa tarde chuvosa de outubro. Levou a mão ao peito. O cordão desaparecera. Voltou atrás, refez o caminho, revistou bolsos, gavetas e até o carro. Não o encontrou. Nessa noite sonhou com um corredor interminável. Caminhava sozinha por uma sucessão de portas fechadas enquanto, atrás de si, alguém avançava no mesmo ritmo. Nunca acelerava. Nunca falava. Limitava-se a segui-la. Acordou antes de o ver. Na manhã seguinte encontrou uma fotografia caída no chão da sala. Não se lembrava de a ter visto antes. Mostrava a casa onde crescera. As janelas estavam escuras e o jardim parecia abandonado. À primeira vista não havia nada de e...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...