Helena chegou à quinta pouco antes do anoitecer, quando as luzes suspensas entre as árvores começavam a acender-se, espalhando reflexos dourados sobre as mesas preparadas para o jantar. A música misturava-se com o tilintar dos copos e as conversas dos convidados, enquanto o aroma das flores se confundia com o da terra húmida. Junto ao livro de honra, uma fotografia antiga destoava da decoração. Helena aproximou-se e observou o casal vestido de casamento, cuja imagem amarelada pelo tempo não conseguia esconder os traços da noiva. Os olhos prenderam-lhe a atenção: eram iguais aos seus. — Quem são? — perguntou a Sérgio. Ele examinou o retrato e encolheu os ombros. — Não faço ideia. Uma empregada que recolhia os copos vazios ouviu a pergunta e aproximou-se. — São os primeiros noivos da quinta. Casaram aqui há muitos anos, mas a noiva morreu antes de a festa terminar. Helena tornou a olhar para a fotografia. A mulher sorria para a câmara, embora os dedos, cravados no pulso ...
O que ouvi, o que senti, o que fiz
e o que despertou a minha curiosidade...