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Mensagens

O Tempo de Paz

 

O Enigma das Sete Partes

  Ninguém sabia de onde vinha o velho Mestre. Uns diziam que passara a vida entre bibliotecas esquecidas; outros juravam tê-lo visto atravessar desertos, mosteiros e cidades onde as palavras pareciam mais antigas do que as próprias pedras. Mas todos concordavam numa coisa: quem aceitasse um dos seus desafios nunca mais voltava a olhar para a língua portuguesa da mesma maneira. Numa tarde de verão, pousou sobre a mesa um pequeno cofre de madeira escura. Não tinha fechadura, dobradiças visíveis nem qualquer sinal de chave. Apenas uma inscrição gravada na tampa: «Abre-me com sete partes do corpo humano.» Pela janela entreaberta entravam os sons da praça. Ao longe, uma melodia elevava-se da velha igreja. Os acordes eram tão profundos que pareciam fazer respirar as paredes de pedra e espalhavam-se pelas ruas como um fio invisível, fazendo vibrar o silêncio. — Parece fácil... — comentou um rapaz. O Mestre sorriu. — Os enigmas mais difíceis são aqueles que se apresentam com a si...

Uma noite de verão

Pão e Circo: Quando o Ruído Ocupa o Lugar da Realidade

  Há mais de dois mil anos, Juvenal escreveu panem et circenses — "pão e circo". Criticava uma sociedade que se deixava apaziguar com alimento e espetáculo, desviando o olhar do que realmente importava. O contexto transformou‑se. A inquietação permanece. Hoje, o "circo" já não ocupa os anfiteatros romanos. Surge nos estádios cheios, nos Jogos Olímpicos, nos grandes concertos, nos fenómenos virais que atravessam continentes em poucos minutos ou nas transmissões que, durante dias, parecem suspender o resto do mundo. O problema nunca foi o entretenimento. O ser humano sempre precisou de celebrar, de competir, de contar histórias, de criar momentos de alegria partilhada. O espetáculo também faz parte da cultura e da identidade das sociedades. O problema começa quando o espetáculo ocupa quase todo o espaço do olhar. Enquanto milhões acompanham uma final desportiva, algures continuam a cair bombas. Há hospitais sem medicamentos, populações deslocadas, incêndios...

Pares Improváveis

    A ver no Instagram: aluzdasletras.e.outrasartes   

Saborear o Momento - Ofélia em Poesia

 

O Som que Regressa

Peguem num objeto comum (uma caneca, uma chave ou uma caneta) e descrevam-no. Dediquem parágrafos separados apenas para detalhar o tato, o som, o peso e o cheiro do objeto, trabalhando a técnica de mostrar em vez de apenas dizer.