Avançar para o conteúdo principal

Uma Aventura no bar


Miniconto de 300 palavras, tipo comédia ou brincadeira, com as seguintes palavras: Cerveja, orelha, revistas, selva, cachos

João tinha a certeza de que aquela sexta-feira seria uma noite normal no seu bar favorito. Sentado ao balcão com a sua cerveja preferida, folheava muito distraído uma pilha de revistas antigas que decoravam o local, tentando decidir entre “Os Mistérios do Mundo” ou “As receitas à portuguesa”. Nada parecia promissor, mas ele insistiu.

Enquanto isso, ao lado dele, Ricardo, seu amigo de infância, falava sem parar sobre a sua última viagem à selva amazónica. "Tu não tens a noção, João! Aranhas maiores que a minha mão e uns barulhos de macacos que pareciam gritos de fantasmas!" João, habituado às histórias exageradas do amigo, apenas levantou uma sobrancelha enquanto tomava mais um gole da sua bebida.

Foi então que Inês, a ruiva de cachos desarrumados e de sorriso sempre malandro, se sentou ao lado deles. "Selva? O Ricardo novamente a exagerar?" perguntou, roubando um gole da cerveja do João sem pedir licença. Ele suspirou teatralmente.

“Exagerar? Isto é ciência!” respondeu Ricardo. Mas antes que pudesse continuar, Inês inclinou-se e cochichou: “Ricardo, tens uma aranha na orelha.” Ele saltou do banco, a gritar e a agitar os braços como um maluco, enquanto todos no pub riam às gargalhadas.

No meio da confusão, João terminou a cerveja. "Obrigado, Inês. Precisava disto." Ela sorriu. "Cerveja e comédia. A receita perfeita."

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Enigma das Sete Partes

  Ninguém sabia de onde vinha o velho Mestre. Uns diziam que passara a vida entre bibliotecas esquecidas; outros juravam tê-lo visto atravessar desertos, mosteiros e cidades onde as palavras pareciam mais antigas do que as próprias pedras. Mas todos concordavam numa coisa: quem aceitasse um dos seus desafios nunca mais voltava a olhar para a língua portuguesa da mesma maneira. Numa tarde de verão, pousou sobre a mesa um pequeno cofre de madeira escura. Não tinha fechadura, dobradiças visíveis nem qualquer sinal de chave. Apenas uma inscrição gravada na tampa: «Abre-me com sete partes do corpo humano.» Pela janela entreaberta entravam os sons da praça. Ao longe, uma melodia elevava-se da velha igreja. Os acordes eram tão profundos que pareciam fazer respirar as paredes de pedra e espalhavam-se pelas ruas como um fio invisível, fazendo vibrar o silêncio. — Parece fácil... — comentou um rapaz. O Mestre sorriu. — Os enigmas mais difíceis são aqueles que se apresentam com a si...