Avançar para o conteúdo principal

Ricardo Araujo Pereira "Este país não é para corruptos" :)

Este país não é para corruptos
Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é
corrupto quem quer

… Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido
a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o
arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político
lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha
os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um
suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta
corromper a pessoa errada não é corrupto- é só parvo. A sentença,
infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se,
por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas
apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão,
mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é
extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só
é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e
por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se
passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é
legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso
para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas
bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à
balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha
paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se
apresente."

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Patriota

Benjamin Martin é um herói do violento conflito entre os  Estados Unidos  e os britânicos. Viúvo e com sete filhos, desde o término da guerra ele renunciou a luta e resolveu viver em paz numa fazenda com sua família. Em 1775 se inicia a guerra que pode dar à independência política aos Estados Unidos da América e ele é chamado para combater, porém se recusa. Entretanto, quando o exército britânico invade sua fazenda e mata um de seus filhos, Benjamin muda de atitude e se apresenta para combate em busca da vingança pela morte de seu filho. No decorrer dos combates, a guerra se torna mais do que uma vingança para ele, torna-se um dever patriótico. Contexto histórico Guerra da Independência dos Estados Unidos da América O monte se desenrola no período dessa guerra iniciada pelas treze colônias estadunidenses insatisfeitas com as imposições econômicas da metrópole inglesa. Tal insatisfação partia da burguesia colonial que se via pressionada após a  Guerra dos Sete An...