Quando regressou a casa, a caixa de veludo esperava-a sobre a cama. Dentro, um colar de diamantes capturava a luz da janela e espalhava-a pelas paredes vazias. Ela pousou a tampa e foi até à cozinha, sem pressa.
No centro da mesa, num frasco antigo, três rosas inclinavam-se umas para as outras, com gotas a tremer à beira das pétalas. Passou a mão pelo vidro frio, onde a água turva deixava ver os caules cruzados. A casa guardava o cheiro húmido e doce das flores.
Sentou-se e deixou os dedos perderem-se na delicadeza amarrotada das pétalas, onde a infância cheirava a terra e às mãos da avó.
O colar ficou a brilhar sozinho, perdido no quarto distante. As flores respiravam com o ar da casa, as pedras permaneciam imóveis.
Levou a mão ao peito, num gesto assertivo, firme. E foi às rosas que o corpo lhe respondeu.
Nada mais pediu.

Comentários