Primeiro exercício:
Pegar no livro que esteja à mão, ir à página com o número da minha idade: Nome do livro: "Cartas a um jovem escritor" Capitulo: Moldar a verdade: "Diga o que pensa. Deverá escrever para não cair no silêncio. É essa a verdade, ou o mais próximo que conseguiremos chegar dela."
Em 100 palavras: Para usar para desbloquear ideias e evitar plágio, transforma a história ou nega o conteúdo ou muda a personagem de feminino/masculino.
Diga o que não pensa, porque às vezes o pensamento nasce cansado e prefere esconder-se atrás das sombras. Não deverei escrever para cair no silêncio, como quem atira palavras ao fundo de um poço sem eco. Há frases que mentem devagar, outras que apenas se afastam da verdade, até já não reconhecerem o próprio rosto. Talvez seja essa a mentira: a distância crescente entre aquilo que sentimos e aquilo que queremos dizer. Ou talvez seja apenas o mais longe que conseguimos chegar dela, antes de regressarmos ao medo antigo de sermos vistos, compreendidos ou contrariados pelo espelho da memória.
Segundo exercício:
Palavras dadas pelas colegas: Prazer, Belo, Mentira, Solidão, Pena, Lealdade, Amor, Saltar, Cacofonia, Despedida, Braço, Gula, Calma, Ilha
Escolher uma palavra para o início e outra para o final. E outra para colocar no meio até 200 palavras. As palavras escolhidas: Calma pena lealdade
Calma era a única coisa que restava sobre a mesa depois de todas as discussões partidas ao meio. Ficavam os copos vazios, um cheiro antigo da madeira húmida e aquele silêncio pesado que parecia conhecer cada erro pelo nome.
«Diz o que não penso».
Repetia dentro de mim, como se o pensamento fosse um animal cansado que precisasse de ser libertado da própria sombra. Nunca soube escrever para agradar ao mundo, escrevia para impedir que as palavras apodrecessem dentro de mim.
Havia dias em que a verdade parecia distante, quase irreconhecível, perdida entre versões diferentes da mesma memória. Outras vezes, mentíamos apenas para sobreviver ao peso daquilo que sabíamos. E ainda assim continuávamos sentados diante uns dos outros, presos a uma espécie de esperança antiga, como marinheiros que insistem em seguir as estrelas apagadas.
Senti pena de tudo o que foi dito tarde demais. Das mãos que hesitaram, dos rostos que envelheceram à espera de uma coragem impossível, das promessas guardadas como retratos queimados numa gaveta esquecida. Talvez o ser humano nunca aprenda realmente a amar sem destruir um pouco aquilo que toca. Talvez carregamos sempre essa falha antiga, esse medo herdado de abandono.
Mas existe algo que sobrevive mesmo quando a verdade falha, o tempo corrói e o silêncio vence: a lealdade.
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