Cinquenta anos não são acaso.
São casa firme, construída devagar,
são mãos que nunca largaram o laço,
mesmo quando o mundo parecia desabar.
São passos dados lado a lado,
no sol ardente e na noite fria.
É o “sim” mantido, renovado,
na força simples de cada dia.
Sempre prontos. Sem alarde.
Sempre firmes. Sem vaidade.
Presentes cedo, presentes tarde,
fiéis à mesma verdade.
Não foram feitos de fantasia,
mas de trabalho, riso e cansaço.
Foram coluna. Foram guia.
Foram abrigo. Foram abraço.
E eu, que cresci à vossa beira,
desde o início desta jornada,
trago-vos como raiz primeira,
como porto seguro da minha estrada.
Foram padrinhos de promessa inteira,
segundos pais no gesto e no cuidado.
Amigos de vida verdadeira,
amor provado e confirmado.
Cinco décadas de chão vivido,
de luta digna, sem desistir.
Porque o amor não é fogo atrevido
é brasa que sabe resistir.
Hoje celebramos o vosso caminho,
feito de coragem e lealdade.
Se o tempo é longo, é porque o carinho
soube vencer a própria idade.
Que venham dias ainda inteiros,
com riso aberto e olhar aceso.
Porque amores assim, verdadeiros,
não se medem, sentem-se no peito.

Comentários