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Meio Século

À beira dos cinquenta caminho assim,

Com histórias guardadas em mim.

Algumas de riso, outras de batalha,

Dias de sol, noites de falha.

 

 

 

 

Carrego no peito o que não arrefeceu,

Sonhos antigos que o tempo não perdeu

A vida rascunha em passos e trilhos,

Entre erros, coragem e pequenos brilhos.

 

Não sou ainda o homem do fim da estrada,

Sou ponte entre o ontem e a nova jornada.

E às vezes descubro, quase sem saber,

Que ainda há muito de mim para conhecer.

 

Se alguns fios brancos vierem pousar,

Serão como neve, a chegar devagar

Sobre os caminhos que a vida gravou,

Marcas discretas de tudo o que sou.

 

Escrevo memórias em dias serenos,

Da casa, da vida, dos laços pequenos.

E percebo, afinal, quase sem notar,

Foi isto que sempre quis guardar.

 

À beira dos cinquenta, não no fim,

mas onde o curso abranda dentro de mim.

Meio século feito, sem pedir perdão,

e ainda caminho, com o resto na mão.   

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