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Vidas

Cuidar de nossas próprias vidas já é algo tão complicado... 
então para quê falar da vida alheia? 
Para quê arranjar guerras com outras pessoas?
Já não temos trabalhos maiores para tratar, para quê complicar?
Já não temos idade para guerrear, para que provocar?

Acredito que estamos numa idade de aventurar, de procura de tranquilidade, de vida serena em grandes problemas. 
Cada um tem suas próprias razões para fazerem o que fazem, para serem o que são. 
Vivemos a nossa própria vida, fazemos os nossos dias mais felizes e deixemos cada um encontrar a paz da sua maneira!

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  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...