Pela primeira vez na minha vida, na semana passada fui a uma reunião da tão criticada Igreja Universal e partilhei as práticas e orações dos presentes.
De repente, o Pastor se aproximou do lugar onde estava.
Olhou-me fixamente e apontou-me o dedo.
Piedosamente, ajoelhei-me e ele colocou as suas mãos na minha cabeça e clamou em voz alta:-Você vai caminhar.Eu respondi-lhe baixo:-Mas não tenho nenhum problema de locomoção.Ele ignorou minha resposta e quase gritando, voltou a exclamar:-Irmão, você vai caminhar!Toda a Assembleia, com as mãos ao alto, começou a chorar:-Você vai caminhar!Mais uma vez, tentei explicar que não tinha nenhum problema com meus membros inferiores, mas foi em vão.
Cada vez mais forte e com mais energia, ele repetiu:-Você vai caminhar!!Enquanto a Assembleia em transe gritava ainda mais forte:- Você vai caminhar!!!!Optei por me calar e não dizer mais nada.
Quando o acto acabou deixei a Assembleia e, acredite ou não, o maldito pastor tinha razão:Tinham-me gamado o carro!!!
Sentavas-te no alto, como quem vigiava um reino que só tu conhecias. A janela era o teu posto. O sofá, o teu trono. E aquele olhar meio fechado, entre sério e desconfiado, era a tua maneira de dizer: "Está tudo em ordem. Eu estou a tomar conta." Nunca foste o gato que pedia colo nem mimos. Nem o que seguia cada passo nosso. Eras feito de vontade própria, de aventuras inesperadas, de arranhadelas, de resmungos e de uma personalidade impossível de esquecer. Houve dias em que nos fizeste rir. Outros em que nos pregaste partidas. E muitos em que fingias que não precisavas de ninguém. Mas precisavas. E nós também. A vida foi deixando marcas no teu corpo. Mazelas que nunca escolheste. Batalhas silenciosas que foste enfrentando sem nunca perderes aquilo que fazia de ti... um Ginger Lince. O teu resmungo. Que tantas vezes nos fazia sorrir e que hoje daríamos tudo para voltar a ouvir. Lutaste o tempo que conseguiste.Nós lutámos contigo. Fomos contigo ao veterinár...
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