Numa farmácia, um estudante de Propaganda e Marketing faz perguntas aos clientes para uma pesquisa de mercado:
- Por favor minha senhora, estou a fazer uma pesquisa sobre o produto 'Deslizafácil', para determinar os usos da vaselina no lar.
A senhora poderia dizer-me que uso dá à vaselina em casa?
Sem se fazer de rogada, a mulher responde:
- Em casa, usamos a vaselina para a pele seca, assaduras e quando fazemos amor.
O estudante então pergunta:
- É a primeira vez que ouço a respeito do uso da vaselina para fazer amor, poderia dar-me mais detalhes?
Mais uma vez, sem se abalar, a mulher responde:
- Eu coloco na maçaneta da porta do quarto.
- Na maçaneta da porta?!
- É, as mãos escorregam e isso impede que as crianças entrem!
As estradas podem ser boas ou más. Há as novas, lisas, confiantes. Há as gastas, cheias de remendos e memória. Mas nenhuma estrada corrige a distração de quem conduz. O que decide nunca é apenas o piso, é o gesto. Um olhar que falha. Um segundo a mais. Um segundo basta. Conduz-se hoje como se o carro pensasse por nós. Entra-se, roda-se a chave, e parte-se. Poucos verificam pneus, óleo, travões. Confia-se que tudo funcione porque ontem funcionou. A máquina anda, logo está segura. Mas a segurança não é automática. É um hábito consciente que se renova todos os dias e que muitos deixaram cair. Na chuva e no nevoeiro, a estrada enche-se de sombras em movimento. Carros sem luzes. Outros apenas com mínimos, invisíveis atrás, como se não existissem. Avançam a velocidades incompatíveis com o que os olhos conseguem realmente captar. Pergunto-me se veem o caminho ou se conduzem por memória, como quem atravessa um quarto escuro de olhos fechados, convencido de que nada mudou desde ontem. Os ...
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