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Nada, nada, nada...

Porque que hoje custa-me tanto respirar
Sentir o ar que respiro, tão fraco,
E o pouco que respiro, deito logo para fora
Como se tivesse algo a impedir o ar de entrar
Sinto-me fraca, sinto-me sem energias para nada
Apenas quero ficar sossegada,
Quero ficar sentada num canto,
Quero música suave nos meus ouvidos
E aquele silêncio sem sentido, sem ruídos
Sem fazer nada, pensar em nada.

Olhar as nuvens a passar, sentir o sol a aquecer-me
Sentir aquele frio gélido no meu corpo
Tudo ao mesmo tempo e à mistura
E num simples e prolongado arrepio
Poder aliviar este aperto que me dói no peito
Libertar estes sentimentos contraditórios
Desentalar as palavras presas na minha boca
Esvaziar a minha mente confusa e de rastos.

Apetece-me chorar, apetece-me gritar
Tenho sede de ti, ciúmes de ti, saudades de ti
Quero tirar-te, arrancar-te, quero esquecer-te
Tenho raiva, tenho ódio de mim
E só duas lágrimas caíram pela face abaixo
E aliviou-me um pouco este pedaço de mim,
Despedaçado sem força para reviver
Isto já não é paixão é uma doença
Uma ferida aberta que custa fechar.

Para além desta dura e crua dor
Tenho também o peso das saudades
O peso de mil coisas que acontecem
Que eu não percebo o porquê
Por vezes obrigo-me a sorrir das coisas tristes
Saber que amanhã, o dia amanhecerá
Saber que o meu coração irá transbordar
Sei que um dia, um dia vai acontecer.

Porque me das uma paixão avassaladora
Se não mereço um final feliz
Porque que tão depressa me deixas entrar, aventurar
Para tão devagar, dolorosamente sair dela
Porque me das força, motivos para lutar
Quando a menos espero, me tiras de mim
Porque que pões pedras perigosas no meu caminho
Me deixas na provação e paralisada
A enfrentar sozinha, o perigo que espreita na esquina
Quando quero seguir uma estrada sem medo.

Não percebo qual a missão da minha vida
Aonde está a minha maior felicidade?
Será que não a mereço?
Sei que tenho um caminho para percorrer
Todos os dias e todos os momentos,
Sei que tenho provações para enfrentar,
Derrotas para vencer, vitorias para vangloriar,
Ter um lugar no mundo, ser um mundo de alguém…

Será?

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