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QUANDO…


Precisei de carinho,
deste-me amor
Precisei de tempo,
deste-me saudade
Precisei de espaço,
deste-me silêncio
Precisei de conselhos,
deste-me palavras
Precisei de calor,
deste-me a mão
Na minha insegurança,
ensinaste-me a acreditar
Na minha fraqueza,
encontrei a tua força
Na dúvida
a tua certeza
No escuro
O brilho dos teus olhos

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  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...