Avançar para o conteúdo principal

Fruto proibido...


... é o mais apetecido!!!

Além das habituais razões, será que há outras?

Muitas das nossas tentações poderiam ser vistas como uma apetência mais velha do que a História para aceder a tudo o que é proibido. Desde o tempo da maçã que o Homem não sabe resistir. E, por vezes, acaba viciado, porque quase tudo o que é proibido acaba por ser, de alguma forma, uma fonte de prazer.

É já um cliché dizer que as mulheres, quando deprimidas, se agarram a uma caixa de chocolates. Eu confesso que não sou muito desse tipo de mulher. Especialmente porque o chocolate não me está proibido pelo médico. Talvez por isso a grande tentação sejam amendoins salgados, ou pistácios, ou batatas fritas de pacote, daquelas carregadinhas de calorias e óleos e muito, demasiado, sal. A cada um o seu fruto proibido. E proibiram-me o sal...

Mas lembrei-me, ainda à conta das tentações e dos vícios, do filme Chocolate – e já agora do livro onde se inspira, como sempre bem melhor, mesmo sem o Johnny – e de como é fácil tentar a comunidade mais tradicional e conservadora em tempo de Quaresma. Basta saber encontrar a tentação certa, o fruto proibido de cada um.

Suponho que haja mesmo pessoas como a Vianne Rosher. Pessoas com uma habilidade natural para descobrirem nos outros o seu fruto proibido e, depois, ainda serem capazes de fazer esse alguém não se sentir culpado por o provar. Talvez por isso não haja condenação de qualquer tipo por a personagem, qual "dealer", fornecer chocolate em doses abundantes a uma diabética. Penso que se trata, no mínimo, de um dom: a capacidade de dar a outro a indulgência necessária para se permitir ter e dar prazer.

Por cada pedacinho de chocolate deste filme, surge um sorriso em nós. Por cada tentação, um reconhecimento. Em cada comportamento reprimido, um olhar para o espelho. Por cada exercício de vontade em direcção à liberdade merecida, encontramos um caminho.

Não, não é o Pleasentville, o meu filme favorito sobre frutos proibidos e como prová-los pode ser libertador. Mas o filme Chocolate é o filme ideal para encontrar doçura em nós e no mundo.

"Tudo o que é bom na vida, ou engorda ou é pecado". E é bem verdade que o chocolate entra direitinho para a categoria do engorda, segundo a velha sabedoria popular e, no filme e no livro, para a categoria do pecado. Mas é um pecado tão doce que, em tempos em que todos os pecados ditos capitais, ou venais, ou o que quiserem, se encontram em grande forma, tingindo o mundo de vermelho sangue, não me chega a parecer pecado nem a gula, nem a luxúria. Quer num, quer noutro, encontro fontes de prazer. E, se um engorda, o outro bem que ajuda a queimar calorias...

LMCF: Acerca da frase: "é uma tentação mas é fruto proibido"..

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Patriota

Benjamin Martin é um herói do violento conflito entre os  Estados Unidos  e os britânicos. Viúvo e com sete filhos, desde o término da guerra ele renunciou a luta e resolveu viver em paz numa fazenda com sua família. Em 1775 se inicia a guerra que pode dar à independência política aos Estados Unidos da América e ele é chamado para combater, porém se recusa. Entretanto, quando o exército britânico invade sua fazenda e mata um de seus filhos, Benjamin muda de atitude e se apresenta para combate em busca da vingança pela morte de seu filho. No decorrer dos combates, a guerra se torna mais do que uma vingança para ele, torna-se um dever patriótico. Contexto histórico Guerra da Independência dos Estados Unidos da América O monte se desenrola no período dessa guerra iniciada pelas treze colônias estadunidenses insatisfeitas com as imposições econômicas da metrópole inglesa. Tal insatisfação partia da burguesia colonial que se via pressionada após a  Guerra dos Sete An...