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Eternidade...


Para além do espaço, há um horizonte que os olhos não vêem, mas o sonho alcança...
Para além do tempo, há ainda o mistério que as mãos não apalpam, mas a alma sente...
Para além do túmulo, há uma flor que desponta e uma luz que brilha...
Para além das lágrimas, há um coração que ama e uma prece que une...
Para além da terra fria, há o suave perfume da imagem que não se desvanece...
Para além da saudade, há o testemunho de quem partiu ficando pelas marcas que deixou...
Para além do chão que pisamos, há o céu que nos atrai...
Para além da morte, há a eternidade...
...e eu sei que é lá que me esperas... até um dia!

Comentários

Olguita disse…
Lindo!!!!

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O Inverno Que Regressou

  O frio chegou sem cerimónia, gelado e húmido, cortando a pele antes de ser sentido, trazendo o cheiro da terra revolvida e o toque metálico da chuva a bater nas telhas, devolvendo às manhãs uma luz cinzenta que não pede desculpa. Não anunciou visita. Entrou. Espalhou-se pelas ruas, infiltrou-se nas janelas mal vedadas, fez-se ouvir no ranger antigo das portadas. A chuva veio atrás dele, densa e persistente, com aquela autoridade que não se discute. E, de súbito, o país pareceu surpreendido por algo que sempre fez parte da sua história. Os velhos reconheceram-no de imediato. Encostados aos balcões dos cafés, mãos fechadas em torno das chávenas, disseram sem dramatismo: “Isto era o inverno da minha infância.” Não era saudade gratuita. Era memória concreta. Rios que cresciam sem pressa, valas abertas à enxada, a lâmina a cortar a região molhada, encostas deixadas em paz porque se sabia que a terra tem temperamento. O inverno era duro, mas conhecido, previsível na sua força. Hoje, ca...