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Sinto falta...

Perco-me nela. No suave roçar de lábios que se passeia pelo rosto. O toque nas pálpebras, levando ao semicerrar de olhos, a humidade que se espalha pela face, num carreiro doce que se encaminha para o toque apaixonado.
Depois, o toque de lábios com lábios. O aperto do lábio inferior. A pele macia, a carne tenra que se prende entre os lábios, entre os dentes. O toque no canto dos lábios com a ponta da língua. O leve roçar quente, como quem pede: ‘deixa-me entrar’. A penetração no espaço quente e húmido onde outra língua a aguarda para se entrelaçar num abraço movimentado, feito de fogo e paixão.
Bocas que tremem.
O gemido surdo que sai do peito. A alucinação do beijo.
O meu beijo. O teu. O nosso.
A minha boca. A tua. As nossas.

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Meu Pequeno Resmungão

Sentavas-te no alto, como quem vigiava um reino que só tu conhecias. A janela era o teu posto. O sofá, o teu trono. E aquele olhar meio fechado, entre sério e desconfiado, era a tua maneira de dizer: "Está tudo em ordem. Eu estou a tomar conta." Nunca foste o gato que pedia colo nem mimos. Nem o que seguia cada passo nosso. Eras feito de vontade própria, de aventuras inesperadas, de arranhadelas, de resmungos e de uma personalidade impossível de esquecer. Houve dias em que nos fizeste rir. Outros em que nos pregaste partidas. E muitos em que fingias que não precisavas de ninguém. Mas precisavas. E nós também. A vida foi deixando marcas no teu corpo. Mazelas que nunca escolheste. Batalhas silenciosas que foste enfrentando sem nunca perderes aquilo que fazia de ti... um Ginger Lince. O teu resmungo. Que tantas vezes nos fazia sorrir e que hoje daríamos tudo para voltar a ouvir. Lutaste o tempo que conseguiste.Nós lutámos contigo. Fomos contigo ao veterinár...