Conrad (Jason Bateman) era apenas uma criança quando seus pais endinheirados o deixaram em seu hotel para ser criado pelo empregados, e foram viajar para a França. Hoje, vinte anos depois, ele desfruta uma vida de luxo e conforto, sem se preocupar com trabalho e coisas do tipo. Mas após receber a notícia do divórcio de seus pais, ele é posto para fora do lugar, sem nenhum dinheiro no bolso. Conrad vai morar de favor na casa de um antigo amigo e se apaixona pela mulher de seus sonhos. Tudo parece correr bem, até que descobre de quem ela é namorada.
O relógio da sala estava parado às três e dezassete. Não avariado: cansado. Amélia aprendera a medir os dias por ele, e agora imitava-o — ficava sentada, rendida, à espera de que nada acontecesse. A casa cheirava a linho fechado e a ossos fervidos. As paredes tinham a cor dos dentes que já não mordem. Sobre a mesa, três peças de porcelana: duas gastas, uma intacta, branca demais para aquela divisão, como um erro esquecido. Amélia entrou com o pé a arrastar. O soalho gemeu, reconhecendo-a. No espelho do corredor, ajustou o lenço sem se encarar. O reflexo demorou a obedecer. Quando surgiu, o lenço já estava torto — e o reflexo não se apressou a corrigir. Amélia não sorriu. Na cozinha, a chaleira começou a chiar cedo demais, um som curto, aflito. Desligou o gás e pousou a mão no metal quente. O ardor espalhou-se devagar, confundindo-se com o cheiro da sopa esquecida, ambos igualmente antigos, ambos familiares. Sentou-se. Os joelhos estalaram. A porcelana intacta vibro...
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