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Escutar o coração...

“Quando nos permitimos escutar o coração, que pressentimos?
-Uma sede profunda de simplicidade, que nos invade como a luz ténue inicial do nascer do sol…
-Um desejo imenso de nos encontrarmos a nós próprios, e que nos invade como o genuíno odor que a natureza exala pela madrugada.
-Uma vontade infinda de encontrar caminhos que façam a vida ganhar sentido, e que, pela sua profundidade, parecem nos conduzir ao turbilhão das águas de um rio…
-Na busca de sentido para a vida deparar-nos-emos com a nossa fragilidade, com o desconhecido… O deserto que necessitamos de atravessar para nos (re) encontrarmos…”

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Sentavas-te no alto, como quem vigiava um reino que só tu conhecias. A janela era o teu posto. O sofá, o teu trono. E aquele olhar meio fechado, entre sério e desconfiado, era a tua maneira de dizer: "Está tudo em ordem. Eu estou a tomar conta." Nunca foste o gato que pedia colo nem mimos. Nem o que seguia cada passo nosso. Eras feito de vontade própria, de aventuras inesperadas, de arranhadelas, de resmungos e de uma personalidade impossível de esquecer. Houve dias em que nos fizeste rir. Outros em que nos pregaste partidas. E muitos em que fingias que não precisavas de ninguém. Mas precisavas. E nós também. A vida foi deixando marcas no teu corpo. Mazelas que nunca escolheste. Batalhas silenciosas que foste enfrentando sem nunca perderes aquilo que fazia de ti... um Ginger Lince. O teu resmungo. Que tantas vezes nos fazia sorrir e que hoje daríamos tudo para voltar a ouvir. Lutaste o tempo que conseguiste.Nós lutámos contigo. Fomos contigo ao veterinár...