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Escutar o coração...

“Quando nos permitimos escutar o coração, que pressentimos?
-Uma sede profunda de simplicidade, que nos invade como a luz ténue inicial do nascer do sol…
-Um desejo imenso de nos encontrarmos a nós próprios, e que nos invade como o genuíno odor que a natureza exala pela madrugada.
-Uma vontade infinda de encontrar caminhos que façam a vida ganhar sentido, e que, pela sua profundidade, parecem nos conduzir ao turbilhão das águas de um rio…
-Na busca de sentido para a vida deparar-nos-emos com a nossa fragilidade, com o desconhecido… O deserto que necessitamos de atravessar para nos (re) encontrarmos…”

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  Ninguém sabia de onde vinha o velho Mestre. Uns diziam que passara a vida entre bibliotecas esquecidas; outros juravam tê-lo visto atravessar desertos, mosteiros e cidades onde as palavras pareciam mais antigas do que as próprias pedras. Mas todos concordavam numa coisa: quem aceitasse um dos seus desafios nunca mais voltava a olhar para a língua portuguesa da mesma maneira. Numa tarde de verão, pousou sobre a mesa um pequeno cofre de madeira escura. Não tinha fechadura, dobradiças visíveis nem qualquer sinal de chave. Apenas uma inscrição gravada na tampa: «Abre-me com sete partes do corpo humano.» Pela janela entreaberta entravam os sons da praça. Ao longe, uma melodia elevava-se da velha igreja. Os acordes eram tão profundos que pareciam fazer respirar as paredes de pedra e espalhavam-se pelas ruas como um fio invisível, fazendo vibrar o silêncio. — Parece fácil... — comentou um rapaz. O Mestre sorriu. — Os enigmas mais difíceis são aqueles que se apresentam com a si...