Avançar para o conteúdo principal

Mariano Deidda Canta Pessoa

É uma velha paixão que traz de novo a Lisboa o cantor italiano Mariano Deidda. E essa paixão chama-se Fernando Pessoa. Até 2 de Fevereiro, no Teatro Nacional D. Maria II.
Desde que o descobriu, a partir de uma tradução de António Tabucchi para a Feltrinelli ("Il Poeta è un Fingitore"), que Deidda não parou de o cantar, sobretudo em Itália. Nascido na Sardenha, Deidda já gravou três discos a partir dessa obra poética que tanto o fascina: "Deidda Interpreta Pessoa" (2001), "Nel Mio Spazio Interiore" (2003) e "L'Incapacità di Pensare" (2005), que completa a trilogia.

Mas é Fernando Pessoa quem o traz a Portugal. O poeta onde ele vislumbrou um dia "uma mentalidade ultramoderna, perfeita na métrica." O poeta que "tinha uma alma musical" e do qual ele se tornou embaixador itinerante e apaixonado, na Itália e fora dela. Com Mariano Deidda (voz) estarão em palco Silvia Cucchi (piano), Luca Zanetti (acordeão), Saverio Miele (contrabaixo) e Diego Mascherpa (saxofone e clarinete).

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Contos ao cair da noite, inspirados no ritual de ...Cura

Helena estava doente há quase um ano quando o médico lhe disse que existia uma cura. Não fez perguntas. Agarrou-lhe as mãos por cima da secretária e chorou em silêncio. O tratamento começou nessa mesma semana. As dores desapareceram primeiro. Depois vieram as noites tranquilas, o apetite, a cor no rosto. Ao fim de um mês, Helena já conseguia subir as escadas sem parar a meio. — Está a resultar — disse o médico. Ela sorriu. Nessa noite, dormiu profundamente pela primeira vez em muitos meses. Acordou pouco depois das três da manhã. Alguém estava sentado aos pés da cama. Ficou imóvel. A figura não se mexia. Helena acendeu o candeeiro. Não havia ninguém. Na manhã seguinte encontrou uma mancha escura sobre o lençol, exatamente onde julgara ver a silhueta. Convenceu-se de que tinha sonhado. Até começar a ouvir a voz. Primeiro no corredor. Depois na cozinha. Depois atrás da porta do quarto. Sempre durante a madrugada. Sempre a chamar por ela. — Helena... Quando perguntou ao...