Era noite de lua minguante, e o silêncio cobria a aldeia como véu pesado. As casas dormiam, mas tu, guiada pelo teu número secreto, caminhavas até a velha ponte de pedra. Passo a passo, contava-os em silêncio. O décimo terceiro era o selo. Não doze, não quatorze. Sempre o treze. Quando o último eco ressoou sobre a ponte, o mundo suspendeu-se. O rio deixou de correr, o vento parou, até os grilos calaram. A noite prendeu a respiração. Foi então que a presença se anunciou, não com passos, mas com a ausência. O ar gelou e um cheiro de ferro húmido, como sangue ou metal esquecido na chuva, subiu da pedra. Antes de a veres, já a sentias, a certeza de algo à tua espera desde sempre. Sentada no parapeito, surgiu a figura: olhos fundos, corpo desenhado mais de sombra do que de carne. — Chegaste, finalmente — disse, com voz que arranhava.. — Não tens medo do número que todos rejeitam? Ergueste o queixo. — Não. O treze é meu. O que eles chamam azar, eu chamo de caminho. A figura sorriu e nesse so...